Espondiloartrite é um grupo de doenças inflamatórias que afetam articulações e a coluna, podendo afetar outros órgãos. Descubra 10 informações essenciais para quem convive com essa condição e como o reumatologista pode ajudar.
1. O Que É Espondiloartrite e Como Ela Se Manifesta
A espondiloartrite é um grupo de doenças inflamatórias crônicas que afetam principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, mas também podem envolver articulações periféricas, pele, olhos e intestino.
Saiba mais AQUI sobre outras artrites

Entre os principais tipos estão:
- Espondilite anquilosante/ e sua forma juvenil
- Artrite psoriásica
- Espondiloartrite indiferenciada
- Artrite associada a doenças intestinais (como Doença de Crohn e retocolite ulcerativa)
- Artrite reativa
- Uveíte anterior
É uma condição autoimune, ou seja, o próprio sistema imunológico ataca essas estruturas do corpo, levando à inflamação e dor persistente.


2. Sintomas de Espondiloartrite Que Não Devem Ser Ignorados
Quando acomete a coluna/ pelve, o sintoma mais característico é a dor lombar ou na região da nádega, em especial pela manhã, de início gradual, que melhora com a movimentação e piora com o repouso. Essa dor costuma vir acompanhada de rigidez matinal (dificuldade de se movimentar) e melhora com a atividade física.
Quando acomete outras articulações pode ocorrer dor, inchaço e até vermelhidão (tornozelo, joelho, mão/ punho)
Outros sintomas incluem:
- Fadiga intensa
- Dor nos calcanhares ou na cintura (entesite, ex: fasciite plantar)
- Inflamação ocular (uveíte)
- Psoríase (descamação na pele)
- Diarréia com sangue (doença inflamatória intestinal: retocolite e doença de Chron)
Esses sinais devem ser levados a sério, principalmente se persistirem por mais de três meses.


3. Diferença Entre Espondiloartrite Axial e Periférica
A espondiloartrite axial afeta principalmente a coluna e as articulações sacroilíacas. A forma mais conhecida é a espondilite anquilosante, que pode causar fusão das vértebras com o tempo.
Já a espondiloartrite periférica compromete articulações como joelhos, tornozelos e pés. Pode estar associada à artrite psoriásica — que também pode afetar a pele, além de mãos e punhos— ou à artrite enteropática, relacionada a doenças inflamatórias intestinais (retocolite e doença de Chron).
4. Espondiloartrite Tem Cura?
Assim como as demais doenças reumáticas e autoimunes, a espondiloartrite ainda não tem cura definitiva. No entanto, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, reduzir a inflamação e evitar deformidades e limitações. A proposta é UMA VIDA NORMAL, ou o mais próximo disso possível.
O objetivo do tratamento é impedir a progressão da doença e preservar a mobilidade e qualidade de vida do paciente.
5. O que causa Espondiloartrite
Um dos principais marcadores genéticos da espondiloartrite é o HLA-B27, presente em grande parte dos pacientes. Ele é detectado a partir de exame de sangue. No entanto, ter esse gene não significa obrigatoriamente que você desenvolverá a doença, nem a sua ausência descarta completamente que o caso possa ser esse diagnóstico.
Fatores ambientais, infecções prévias e até mesmo o microbioma intestinal podem atuar como gatilhos para o desenvolvimento da espondiloartrite em pessoas geneticamente predispostas.
6. Diagnóstico: Como o Reumatologista Identifica a Espondiloartrite
O diagnóstico da espondiloartrite é clínico, baseado nos sintomas, histórico familiar e exames complementares. Após uma consulta bem detalhada, com entrevista, exame físico e análise do caso com bastante atenção o reumatologista poderá escolher quais exames mais adequados e com maior possibilidade de fechar o diagnóstico.
Os principais exames incluem:
- Ressonância magnética da sacroilíaca, coluna
- Outras imagens de articulações acometidas (ex: ultrassonografia articular do tornozelo)
- Exames de sangue (PCR, VHS, HLA-B27, dentre outros)
O papel do reumatologista é essencial para interpretar corretamente os achados e iniciar o tratamento o quanto antes.
7. Tratamentos para Espondiloartrite: Remédios e Além
O tratamento varia conforme a gravidade e o tipo de espondiloartrite. Entre as opções estão:
- Antiinflamatórios não esteroidais (AINEs) para controle da dor. ATENÇÃO: nunca realize auto-medicação!
- Medicamentos biológicos (como anti-TNF ou anti-IL17), especialmente nas formas mais severas e no envolvimento axial
- Imunossupressores e modificadores de doença
- Fisioterapia e atividade física supervisionada
A combinação de medicamentos com hábitos saudáveis é a chave para o sucesso terapêutico.
8. Espondiloartrite e Qualidade de Vida
Quando não tratada adequadamente, a espondiloartrite pode comprometer a mobilidade, causar rigidez crônica e reduzir a qualidade de vida. Entretanto, com tratamento e acompanhamento especializado, os pacientes levam uma vida ativa e produtiva.
Movimentar-se é parte do tratamento. Exercícios de alongamento e fortalecimento são tão importantes quanto os medicamentos.
9. Espondiloartrite e Outras Doenças Associadas

A espondiloartrite pode coexistir com:
- Psoríase (clique AQUI e saiba mais)
- Uveíte (inflamação ocular)
- Doença de Crohn e retocolite ulcerativa
Por isso, muitas vezes é necessário um trabalho conjunto com dermatologistas, oftalmologistas e gastroenterologistas. O acompanhamento multidisciplinar garante um tratamento mais eficaz.


10. Quando Procurar um Reumatologista para Espondiloartrite e Por Quê
Se você tem dor lombar ou na nádega de forma crônica que melhora com movimento, dor em outras articulações, rigidez matinal ou histórico familiar de espondiloartrite, psoríase ou doença inflamatória intestinal (retocolite ou doença de Chron) procure um reumatologista.
Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de evitar sequelas e controlar os sintomas com sucesso.

Perguntas Frequentes (FAQs)
Espondiloartrite é a mesma coisa que espondilite anquilosante?
Não. Espondiloartrite é o nome de um grupo de doenças inflamatórias crônicas. A espondilite anquilosante é apenas um tipo dentro desse grupo.
As principais formas de espondiloartrite incluem:
- Espondilite anquilosante — forma axial com alterações já visíveis no raio-X das sacroilíacas
- Espondiloartrite axial não radiográfica — inflamação ativa, mas ainda sem dano visível no raio-X
- Artrite psoriásica — associada à psoríase de pele
- Artrite reativa — desencadeada por infecções
- Artrite da doença inflamatória intestinal — associada a Crohn ou retocolite ulcerativa
Todas compartilham mecanismos inflamatórios semelhantes e frequente associação com o marcador genético HLA-B27.
Quem tem psoríase pode desenvolver espondiloartrite?
Sim. A artrite psoriásica é uma das formas mais comuns de espondiloartrite e pode afetar até 30% dos pacientes com psoríase ao longo da vida.
Os sinais de alerta incluem:
- Dor e inchaço nas articulações das mãos, pés ou joelhos
- Rigidez matinal prolongada
- Dor lombar inflamatória (que piora com o repouso)
- Inchaço difuso em um dedo inteiro (“dedo em salsicha” ou dactilite)
- Dor nos calcanhares ou na planta dos pés (entesite)
A artrite psoriásica pode surgir anos antes ou depois das lesões de pele. Pacientes com psoríase que desenvolvem qualquer um desses sintomas devem procurar um reumatologista para investigação precoce.
Existe alguma dieta específica para espondiloartrite?
Não existe uma dieta que cure a espondiloartrite. Porém, a alimentação pode influenciar o controle da inflamação e a qualidade de vida.
As principais recomendações são:
- Manter peso saudável — o excesso de peso sobrecarrega as articulações e aumenta a atividade inflamatória
- Priorizar alimentos anti-inflamatórios — frutas, verduras, peixes, azeite e castanhas (padrão mediterrâneo)
- Evitar ultraprocessados — excesso de açúcar refinado e gordura saturada pode piorar a inflamação
- Cuidar da microbiota intestinal — fibras e alimentos fermentados ajudam, já que há relação comprovada entre inflamação intestinal e articular nas espondiloartrites
Quais exames são necessários para diagnosticar espondiloartrite?
O diagnóstico combina avaliação clínica, exames de imagem e exames de sangue.
Exames de imagem:
- Ressonância magnética das sacroilíacas — o mais importante, detecta inflamação ativa antes de aparecer no raio-X
- Radiografia da bacia — avalia se já há dano estrutural nas sacroilíacas
- Ultrassonografia — útil para avaliar articulações periféricas e ênteses
Exames de sangue:
- HLA-B27 — marcador genético presente em grande parte dos pacientes
- PCR e VHS — medem o grau de atividade inflamatória
O reumatologista é o especialista indicado para solicitar e interpretar esses exames em conjunto com o quadro clínico.
A espondiloartrite é uma doença progressiva?
Sim, pode ser progressiva se não for tratada. A inflamação crônica pode levar à formação de pontes ósseas entre as vértebras (sindesmófitos), causando rigidez permanente e perda de mobilidade.
A boa notícia: com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível frear a progressão de forma significativa. Os medicamentos biológicos modernos transformaram o prognóstico da doença nas últimas décadas.
Qual o melhor tratamento para espondiloartrite?
O tratamento é individualizado pelo reumatologista. De forma geral, envolve:
- Anti-inflamatórios (AINEs) — primeira linha para dor e rigidez na forma axial
- Medicamentos biológicos — inibidores de TNF-alfa e de IL-17, indicados quando os AINEs não são suficientes
- Medicamentos modificadores de doença — sulfassalazina e metotrexato para formas periféricas
- Fisioterapia e exercício físico — pilares fundamentais para manter mobilidade da coluna e prevenir deformidades
- Hábitos saudáveis — controle de peso, cessação do tabagismo e sono adequado
A combinação de tratamento medicamentoso, reabilitação e estilo de vida saudável oferece os melhores resultados a longo prazo.
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