A Reumatologia é a área da medicina que estuda as doenças reumáticas, que de forma popular são conhecidas como “reumatismos”. Porém esse termo não corresponde a um diagnóstico e não é uma doença em si.
Você sabia? Existem mais de 200 doenças reumáticas catalogadas pelo Colégio Americano de Reumatologia.
O REUMATOLOGISTA a é o médico que cuida dessas condições, elas afetam os tecidos conjuntivos e o sistema locomotor.





É importante diferenciar a atuação do reumatologista e do ortopedista, pois apesar de haver uma intercessão entre essas áreas médicas.
O ortopedista se dedica mais a questões relacionadas a traumatismos (fraturas, lesões por entorses, luxações) e aos casos cirúrgicos dos acometimentos do aparelho locomotor.
Já o REUMATOLOGISTA é um médico clínico, diagnostica, trata e acompanha casos mais crônicos e também de acometimento sistêmico (como nas doenças autoimunes e inflamatórias que, além de afetarem as articulações podem afetar também órgãos internos).

- articulações (juntas)
- ossos
- músculos
- tendões
- bursas
- ligamentos
OBS: em algumas doenças reumáticas pode haver acometimento de outros órgãos:
- olhos
- pele/unhas/ cabelos
- coração
- pulmões
- rins
- sangue
- sistema nervoso
- esôfago
- estômago
- intestinos
Esse tipo de doenças chamamos de sistêmicas (pois afetam vários órgãos e sistemas).


Nesses componentes dos tecidos conjuntivos e do sistema locomotor, as alterações que podem ocorrer são principalmente:
- dor
- inflamação (o local além de dolorido fica quente, inchado, vermelho)
- limitação de movimentos (ex: não estica completamente o joelho, não sobe totalmente o braço)
- rigidez para os movimentos (sensação de que está “duro” ou “travado” para se movimentar, pior ao acordar ou após repouso, por mais tempo sentado)
- deformidades

Já quando temos uma doença sistêmica (que afeta vários órgãos e sistemas) o paciente, além de dores e inflamação nas articulações, pode ter outras alterações que precisam ser avaliadas por um reumatologista:
Se apresentar 1 ou mais desses sintomas:
- febre recorrente sem explicação
- emagrecimento não intencional (ex: sem dieta)
- falta de apetite
- fadiga ou cansaço extremos
- dores pelo corpo
- inchaço das articulações (juntas)
- queda de cabelo anormal
- unhas quebradiças
- manchas, feridas ou hematomas na pele
- aftas na boca ou nas partes íntimas
- sensibilidade anormal à luz
- sangue ou espuma na urina
- formigamentos, sensação de choque ou frieza das mãos, pés, braços ou pernas
- sensação de areia nos olhos, olhos secos, boca seca, tosse seca, pele seca, ressecamento vaginal
- engasgos ou dificuldade para engolir
- falta de ar e tosse seca sem explicação
- tromboses sem explicação (embolia no pulmão, trombose na perna, ou na placenta levando a abortos expontâneos e perdas gestacionais)
- olho vermelho (inflamações nos olhos: uveíte, ceratite, esclerite, episclerite)
- fraqueza muscular (os braços ou pernas não respondem)
- aumento de gânglios ou ínguas pelo corpo
- dor e rigidez na região das nádegas, quadril e coluna lombar ou cervical (pescoço)
- psoríase na pele ou em parentes de primeiro grau (pai, mãe, irmãos)
- endurecimento da pele, com feridas na região da cutícula ou nas pontas dos dedos
- Fenômeno de Raynaud: quando mãos ou pés se expostos ao frio mudam de cor: branco, roxo/azul, vermelho
- alterações de humor (depressão ou tristeza, ansiedade) e alterações do sono (insônia, sono curto) com dor no corpo

Essas doenças são muito variadas em suas causas, por isso essa variedade de sintomas citados acima. As causas principais e alguns exemplos dessas doenças são:
- autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, artrite psoriásica, espondilite anquilosante, esclerose sistêmica ou esclerodermia, miosites ou miopatias, doença de Sjogren, SAF- síndrome antifosfolípide)
- degenerativas (artrose ou osteoartrite, tendinites, bursites)
- inflamatórias (polimialgia reumática, vasculites, doenças auto inflamatórias como febre familiar do mediterrâneo)
- metabólicas (osteoporose, gota)
- genéticas (Ehlers-Danlos, osteogênese imperfeita, síndrome de Marfan)
- infecciosas (por bactérias, vírus, fungos)
- desconhecidas (fibromialgia, dor complexa regional, sarcoidose)
Essa é uma das perguntas que o reumatologista mais ouve! A artrite é a inflamação de uma junta ou articulação. Várias doenças reumáticas, em especial a artrite reumatoide, o lúpus e outras de causa autoimune tem esse sintoma.
Já a artrose, que é o nome popular da osteoartrite é uma condição que leva ao desgaste e degeneração da cartilagem e da articulação.
Ambas podem gerar dor e limitações, porém a artrite tem maior potencial de levar a deformidade e complicações se a doença de base não for controlada com tratamento com medicações específicas. Já a artrose é tratada, sobretudo, com medidas de proteção articular, exercícios e fortalecimento, além de medicações que atuam principalmente na dor.


-Doença de Sjogren
-Síndrome antifosfolípide
–Esclerodermia ou esclerose sistêmica
-Polimialgia reumática
-Vasculites
-Miosites ou miopatias (dermatomiosite, polimiosite)
Reumatismos de partes moles são acometimentos de componentes do sistema locomotor, sem afetar órgão internos. São doenças na maior parte das vezes de causas degenerativas, ou seja, por desgaste ou sobrecarga, portanto não são autoimunes, como as doenças sistêmicas que afetam os demais órgãos.
Os principais reumatismos de partes moles são tendinites/ tendinoses e bursites (inflamações e desgastes de tendões e bursas- “amortecedores” naturais que temos em juntas como ombros, cotovelos, laterais do quadril, joelhos), também podem ser neuropatias (ex: compressão de um nervo periférico). Abaixo algumas dessas condições:

- Síndrome do manguito rotador no ombro
- Ombro congelado ou capsulite adesiva
- Epicondilite no cotovelo
- Síndrome do túnel do carpo no punho e mãos
- Tendinite de De Quervein na mão
- “Whatsappinite” ou tendinite do flexor do polegar
- Dedo em gatilho na mão
- Síndrome da bunda morta ou tendinose do glúteo
- Bursite trocantérica no quadril
- Síndrome do piriforme na nádega
- Meralgia parestésica na coxa
- Lesão nos ligamentos colaterais e meniscos no joelho
- Síndrome da pata de ganso no joelho
- Síndrome patelo- femoral no joelho
- Condromalácea no joelho
- Síndrome do corredor no joelho
- Síndrome da banda iliotibial na perna
- Canelite ou periostite da tíbia na perna
- Tendinite do Aquileu e tendinite do calcâneo no tornozelo e calcanhar
- Neuroma de Morton no pé
- Metatarsalgia no pé
- Fasciite plantar
- Síndrome miofascial (pontos dolorosos na musculatura do pescoço, região da escápula, das costas, lombar, quadris, pernas, braços)
ABAIXO ASSISTA UM VÍDEO ONDE EXPLICO MELHOR SOBRE “REUMATISMOS DE PARTES MOLES”:

Como são doenças muito variadas e diferentes, os tratamentos serão igualmente diversos.
Podemos dizer que, quanto aos tratamentos, a reumatologia é uma das áreas da medicina que mais avançou recentemente com a biotecnologia. Tratamentos modificadores de doença, imunobiológicos modernos para doenças autoimunes e procedimentos como infiltrações, técnicas avançadas de reabilitação e uso de órteses para as de causa degenerativa tem revolucionado o manejo de doenças reumáticas, proporcionando alívio significativo para muitos pacientes que anteriormente tinham poucas opções.
Perguntas Frequentes:
Quando devo procurar um reumatologista?
Você deve procurar um reumatologista quando sentir dor nas articulações ou na coluna que persiste por mais de seis semanas, especialmente se essa dor começa em repouso, melhora com o movimento e é acompanhada de inchaço, rigidez ao acordar ou dificuldade para movimentar o corpo.
Outros sinais importantes incluem manchas na pele que pioram com o sol, olho vermelho recorrente, aftas que não cicatrizam, fraqueza muscular sem explicação, mudança de cor nas mãos quando expostas ao frio (fenômeno de Raynaud), e tromboses ou perdas gestacionais sem causa aparente.
Mulheres acima de 50 anos que sofrem fraturas por traumas mínimos também devem ser avaliadas para investigação de osteoporose.
Qual a diferença entre reumatologista e ortopedista?
O reumatologista e o ortopedista cuidam do sistema musculoesquelético, mas com abordagens diferentes.
O ortopedista é um especialista cirúrgico que trata principalmente de fraturas, luxações, lesões de menisco e problemas mecânicos dos ossos e articulações — geralmente causados por traumas. Já o reumatologista é um especialista clínico que atua no diagnóstico e tratamento de doenças inflamatórias, autoimunes e degenerativas das articulações, ossos, músculos, tendões e ligamentos, utilizando medicamentos e reabilitação.
Uma forma simples de distinguir: se a dor surgiu após um trauma, procure o ortopedista; se os sintomas são crônicos, acompanhados de inflamação, calor, vermelhidão e rigidez, o reumatologista é o especialista indicado. Muitas vezes, esses dois profissionais trabalham de forma complementar.
Quais são as doenças tratadas pelo reumatologista?
O reumatologista trata mais de 200 doenças reumáticas catalogadas pelo Colégio Americano de Reumatologia. Essas doenças podem ser divididas em dois grandes grupos.
O primeiro inclui doenças autoimunes, nas quais o sistema imunológico ataca os próprios tecidos do corpo — como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, esclerose sistêmica, espondilite anquilosante, artrite psoriásica e síndrome de Sjögren.
O segundo grupo abrange doenças degenerativas e metabólicas, causadas pelo desgaste das estruturas articulares, como artrose (osteoartrite), osteoporose, gota e fibromialgia.
O reumatologista também trata os chamados reumatismos de partes moles, que incluem tendinites, bursites, síndrome do túnel do carpo, epicondilites e síndrome miofascial.
Reumatismo é uma doença?
Não. “Reumatismo” é um termo popular que não corresponde a um diagnóstico médico. Ele é usado de forma genérica para se referir a qualquer dor nas articulações, nos ossos ou nos músculos, mas não é uma doença em si.
Na realidade, o que existem são doenças reumáticas — um grupo com mais de 200 condições diferentes, cada uma com causas, sintomas e tratamentos específicos. Somente o reumatologista pode identificar corretamente qual doença reumática está causando os sintomas e definir o tratamento adequado.
Criança pode ter doença reumática?
Sim. As doenças reumáticas não são exclusivas de idosos e podem acometer pessoas de qualquer faixa etária, incluindo crianças e adolescentes. A artrite idiopática juvenil, por exemplo, é uma doença autoimune que afeta articulações de crianças antes dos 16 anos de idade. Existem também formas juvenis de lúpus, dermatomiosite e vasculites.
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar comprometimento do crescimento e desenvolvimento da criança, e o reumatologista pediátrico é o especialista indicado para esses casos.
Quem tem doença reumática pode fazer exercício físico?
Sim, e na maioria dos casos o exercício físico é altamente recomendado. A atividade física regular ajuda a reduzir a dor, melhorar a mobilidade articular, fortalecer a musculatura de suporte, combater a fadiga e manter a qualidade de vida.
O tipo, a intensidade e a frequência do exercício devem ser orientados pelo reumatologista e adaptados à fase em que a doença se encontra. Em situações específicas de inflamação aguda, pode ser necessário restringir temporariamente alguns tipos de atividade, mas a recomendação geral é manter-se ativo.
Como é feito o diagnóstico de doenças reumáticas?
O diagnóstico das doenças reumáticas é baseado em três pilares: a história clínica detalhada do paciente (anamnese), o exame físico e os exames complementares. Na consulta, o reumatologista avalia a história dos sintomas, antecedentes familiares e pessoais.
O exame físico busca sinais de inflamação, inchaço e limitação de movimento nas articulações.
Os exames complementares podem incluir exames de sangue (como FAN, fator reumatoide, VHS, PCR, ácido úrico e marcadores genéticos como o HLA-B27) e exames de imagem (radiografia, ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética).
A combinação dessas informações permite ao reumatologista chegar ao diagnóstico correto e definir o melhor plano de tratamento.
Quais os avanços recentes no tratamento de doenças reumáticas?
A reumatologia é uma das áreas da medicina que mais avançou nas últimas décadas, especialmente com o desenvolvimento de terapias biológicas e medicamentos modificadores de doença.
Os imunobiológicos são medicamentos que atuam de forma seletiva no sistema imunológico, bloqueando moléculas específicas envolvidas no processo inflamatório. Isso permitiu controlar doenças graves como artrite reumatoide, lúpus e espondilite anquilosante de forma muito mais eficaz do que era possível anteriormente.
Além disso, procedimentos como infiltrações articulares, técnicas avançadas de reabilitação e o uso de órteses complementam o tratamento, proporcionando alívio significativo para pacientes que antes tinham poucas opções terapêuticas.
Fonte: Sociedade Brasileira de Reumatologia:
Doenças reumáticas
